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“Tenham cuidado para que ninguém retribua o mal com o mal, mas sejam sempre bondosos uns para com os outros e para com todos.” [ 1 Tessalonicenses 5.15 ]
José tinha onze irmãos e todos viviam com seu pai Jacó. Aos 17 anos, José pastoreava os rebanhos de seu pai junto com seus irmãos mais velhos, informando-lhe as coisas erradas que seus irmãos faziam. Não bastasse isso, ele ainda era o filho predileto do pai, que mandou fazer para ele uma túnica longa de várias cores. É natural que isso despertasse ciúmes em seus irmãos, que se sentiam preteridos em relação a ele. Mas nada irritou mais os irmãos do que os sonhos de José.
Ele fazia questão de lhes contar os sonhos que tinha, nos quais sempre levava a melhor sobre eles.
Houve uma ocasião em que os irmãos de José foram cuidar dos rebanhos perto de Siquém. O pai enviou José até seus irmãos para trazer notícias deles. Quando os irmãos o viram chegar usando aquela capa colorida, pensaram em matá-lo para livrarem-se dele. Por intervenção de Rúben, um dos seus irmãos, desistiram de matá-lo, mas acabaram vendendo-o como escravo para uns mercadores que estavam passando, e estes o levaram ao Egito para vendê-lo ali.
O drama de José seria totalmente trágico se Deus não estivesse usando todos esses acontecimentos para o bem de José e sua família, que, anos mais tarde, torna-se governador do Egito e recebe sua família de volta, perdoando seus irmãos e cuidando para que todos tenham um lugar próspero e seguro para viverem.
O final feliz da história de José, entretanto, não diminuiu a dor da experiência vivida. Ele foi rejeitado por seus irmãos, tornou-se escravo, foi caluniado na casa de Potifar e preso inocentemente, foi esquecido na prisão pela única pessoa que encontrou ali em condições de ajudá-lo. Mesmo assim, quando reencontrou seus irmãos, soube reconhecer a mão de Deus em tudo o que lhe havia acontecido e perdoá-los de todo o coração.
Infelizmente, a história de José é a exceção e não a regra. A maior parte das pessoas feridas nunca vencem plenamente sua dor, e grande parte desenvolve o hábito de buscar algo que supra sua carência e traga satisfação. Essas pessoas estão em todos os lugares, e os irmãos de José faziam parte desse contingente. Como eles percebiam a predileção do pai por José, procuraram eliminar a fonte de sua dor para que, com a ausência dela, pudessem sentir-se aceitos e amados.
A principal diferença entre José e seus irmãos não está na dor que eles sentiram nem no fato de José ter sido o predileto do pai, mas sim na reação diante da dor. Pessoas que não se sentem amadas tendem a desenvolver reações desesperadas em busca de algo que os faça sentirem-se melhor. Grande parte das pessoas duras e insensíveis teve seu caráter forjado pela dor da rejeição.
Jesus nos chama a regar as pessoas com o seu amor. O amor amolece o coração endurecido por feridas e frustrações, porque todos têm necessidade de se sentirem amados e reconhecidos. Ele nos dá uma orientação em Mateus 7. 12 que ajuda a determinar o modo como devemos tratar os outros:
“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam”. Então, o que podemos fazer é analisar a maneira como desejamos ser tratados e passar a tratar os outros dessa forma.
O que acontecerá é que nos tornaremos agentes de cura e restauração.
Mas isso não acontecerá se não decidirmos nos tornar sensíveis às necessidades, anseios e dores das pessoas ao nosso redor, se não tirarmos intencionalmente os olhos das nossas próprias necessidades e dores para sentirmos com os outros.
Nunca poderemos fazê-lo só com a nossa decisão, sem o poder do Senhor Jesus, mas também nunca o faremos sem essa decisão. No fim, é uma questão de amor e obediência.
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