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Como se fosse você E-mail
Escrito por Pr Gilberto Wegermann   
Sex, 30 de Julho de 2010 21:47

 “Tenham cuidado para que ninguém retribua o mal com o mal, mas sejam sempre bondosos uns para com os outros e para com todos.” [ 1 Tessalonicenses 5.15 ]

José tinha onze irmãos e todos viviam com seu pai Jacó. Aos 17 anos, José pastoreava  os  rebanhos  de  seu  pai junto  com  seus  irmãos  mais  velhos, informando-lhe    as    coisas    erradas que seus irmãos faziam. Não bastasse isso, ele ainda era o filho predileto do pai,  que  mandou  fazer  para  ele  uma túnica longa de várias cores. É natural que  isso  despertasse  ciúmes  em  seus irmãos, que se sentiam preteridos em relação a ele. Mas nada irritou mais os irmãos do que os sonhos de José.

Ele fazia questão de lhes contar os sonhos que  tinha,  nos  quais  sempre  levava  a melhor sobre eles.

Houve  uma  ocasião  em  que os  irmãos  de  José  foram  cuidar  dos rebanhos   perto   de   Siquém.   O   pai enviou José até seus irmãos para trazer notícias  deles.  Quando  os  irmãos  o viram   chegar   usando   aquela   capa colorida,  pensaram  em  matá-lo  para livrarem-se  dele.  Por  intervenção  de Rúben, um dos seus irmãos, desistiram de matá-lo, mas acabaram vendendo-o como escravo para uns mercadores que estavam passando, e estes o levaram ao Egito para vendê-lo ali.

O    drama    de    José    seria totalmente trágico se Deus não estivesse usando   todos   esses   acontecimentos para o bem de José e sua família, que, anos  mais  tarde,  torna-se  governador do Egito e recebe sua família de volta, perdoando  seus  irmãos  e  cuidando para   que   todos   tenham   um   lugar próspero e seguro para viverem.

O  final  feliz  da  história  de José,  entretanto,  não  diminuiu  a  dor da experiência vivida. Ele foi rejeitado por seus irmãos, tornou-se escravo, foi caluniado  na  casa  de  Potifar  e  preso inocentemente, foi esquecido na prisão pela única pessoa que encontrou ali em condições  de  ajudá-lo.  Mesmo  assim, quando    reencontrou    seus    irmãos, soube  reconhecer  a  mão  de  Deus  em tudo  o  que  lhe  havia  acontecido  e perdoá-los de todo o coração.

Infelizmente, a história de José é a exceção e não a regra. A maior parte das pessoas feridas  nunca  vencem  plenamente  sua dor, e grande parte desenvolve o hábito de buscar algo que supra sua carência e traga satisfação. Essas pessoas estão em todos os lugares, e os irmãos de José faziam parte desse  contingente.  Como  eles  percebiam a predileção do pai por José, procuraram eliminar  a  fonte  de  sua  dor  para  que, com  a  ausência  dela,  pudessem  sentir-se aceitos e amados.

A  principal  diferença  entre  José e  seus  irmãos  não  está  na  dor  que  eles sentiram  nem  no  fato  de  José  ter  sido  o predileto do pai, mas sim na reação diante da dor.
 
Pessoas    que    não    se    sentem amadas   tendem   a   desenvolver   reações desesperadas  em  busca  de  algo  que  os faça  sentirem-se  melhor.  Grande  parte das  pessoas  duras  e  insensíveis  teve  seu caráter forjado pela dor da rejeição.

Jesus   nos   chama   a   regar   as pessoas   com   o   seu   amor.   O   amor amolece    o    coração    endurecido    por feridas  e  frustrações,  porque  todos  têm necessidade  de  se  sentirem  amados  e reconhecidos. Ele nos dá uma orientação em Mateus 7. 12 que ajuda a determinar o modo como devemos tratar os outros: 

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam”. Então, o que podemos fazer é analisar a maneira como  desejamos  ser  tratados  e  passar  a tratar os outros dessa forma. 

O  que  acontecerá  é  que  nos tornaremos agentes de cura e restauração.

Mas isso não acontecerá se não decidirmos nos   tornar   sensíveis   às   necessidades, anseios  e  dores  das  pessoas  ao  nosso redor, se não tirarmos intencionalmente os olhos das nossas próprias necessidades e  dores  para  sentirmos  com  os  outros.

Nunca poderemos fazê-lo só com a nossa decisão,  sem  o  poder  do  Senhor  Jesus, mas também nunca o faremos sem essa decisão.  No fim, é uma questão de amor e obediência.

 
 
 
 
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